Os Cadernos Secretos de Sébastian

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About the author:
André Benjamim nasceu numa pequena e pacata aldeia da província, em 1981, onde até a morte é lenta. As vicissitudes da vida obrigaram-no a deambular por diferentes destinos, primeiro para estudar, depois para tentar ter um sustento - um trabalho.

É licenciado, mas isso não lhe serve para nada, ou apenas para lhe dizerem que tem qualificações a mais, quando não lhe podem dizer que a experiência é a menos.

Escritor, Poeta, Blogger, Sonhador. Umas vezes empregado, a maioria das vezes desempregado, a engendrar uma forma de sobrevivência que só com muitos sobressaltos e soluços lhe têm sido possível.

E muitas outras coisas. Contudo, nenhuma que lhe renda dinheiro - fama, reconhecimento, ou posição - ou outra coisa qualquer - daquelas coisas que são valorizadas nesta sociedade anti-social.

Publicou Os Cadernos Secretos de Sébastian, um romance de fragmentos e anotações, em 2007. Colaborou com alguns poemas na revista "Praça Velha" (Guarda, n.º 24).

Reclama que «uma "Biografia" só deve ser escrita depois de morrermos - se alguém considerar que tínhamos, para o Outro, valor que merecesse o esforço de ser escrita - e partilhada».

Avisa que «não se esqueçam que uma biografia será sempre um retrato desfocado que se tira ao lado errado da pessoa retratada. A vida - a verdadeira vida de uma pessoa - está por dentro. E o lado de dentro - é como o lado escuro da lua: não existe o lado escuro da lua - na verdade, tudo é escuro.»

Ainda não mandou imprimir o livro de poemas & outros textos que sonha publicar, ainda não acabou de escrever um segundo romance. Ainda não sabe se já desistiu.

Como se define numa palavra? Proscrito.

Ainda não chegou a casa.

Os Cadernos Secretos de Sébastian
 

Authored by André Benjamim

«- Desde os treze anos que ele escrevia esses diários. Estão dirigidos a ti. Foi para ti que ele os escreveu, quando um dia deixou de se sentir à vontade contigo. É o que ele diz na primeira página. A nós também nunca nos contou nada. Foi um choque para nós. - Inspirou, enquanto olhava, consternado, para mim.
Ainda havia mais alguma coisa:
- Tenho um pedido a fazer-te!
- Sim, diga...
- Era o seu desejo, queremos realizá-lo. Foi por isso que te telefonámos. Queremos que fi ques com os diários, que, afi nal de contas, são teus. Foi para ti que os escreveu... Mas temos um pedido a fazer-te. Queremos que respeites a sua memória; que deixes a sua alma partir em paz. Queremos que guardes só para ti tudo o que neles está escrito»

Olhava para ela. O desejo que me acalentara e mantivera vivo realizara-se. Ela voltou para os meus braços. Mas não era a ela que eu desejava. Era a outra ela que existiu, em mim, através dela. Agora sabia que nunca poderia ser minha. Sabia que nem eu próprio me poderia entregar. Não era eu que ela queria. Era a outro que ela recriara em mim. Existimos nos outros em milhões de versões diferentes. Quantos Andrés percorrem as ruas em mim e eu não vejo? Foram outros nós - que nós desconhecíamos - que talvez se tenham amado.
Continuava a desejar a mulher criada por mim em mim, num momento impreciso e sublime. Ela foi o corpo impossível no qual eu esculpi a minha obra. Mas naquele momento conhecia o embuste. Olhava para ela e sentia desejo. E repulsa.
Como seria o André, meu irmão gémeo, que ela enganava? Como era o André que se debruçava sobre o seu ser, ouvindo o murmúrio vibrante dos seus lábios doces e suculentos?
Inveja e raiva. Inveja. Do André que ela amava, do André amado por ela que eu queria ser, do André com o qual eu não podia competir, sob pena de ambos a perdermos. Raiva. Por a não poder transformar na imagem que usurpava o meu pensamento.
Cada indivíduo é uma língua nativa, com termos muitos próprios cujos significados ímpares se perdem na tradução de um sujeito para o outro.
Talvez, se me dedicasse com maior afinco, tivesse conseguido apreender a sua língua. Ouvia-a com atenção. Memorizava cada som expirado pela sua boca. E tentava decifrar-lhe o significado. Jogava com ela: pedia-lhe para me explicar o que queria dizer com o que dizia. Mas ela fartava-se depressa. Era muito impaciente... Tinha que avançar devagar. Desbravar terreno. Apalpá-lo com calma e dar pequenos passos. Avançava às escuras.
Oh! Doce ilusão. Doce engano. «Talvez venha a conseguir lançar pontes entre as duas linguagens.» Dizia para mim mesmo.


Publication Date:
2013-10-04
ISBN/EAN13:
1482679345 / 9781482679342
Page Count:
302
Binding Type:
US Trade Paper
Trim Size:
6" x 9"
Language:
Portuguese
Color:
Black and White
Related Categories:
Fiction / Romance / General




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